Luiz Morgadinho
"Operário Plástico do Naife e do Bizarro"
Surrealismo. Leya na Barata. MircroArteGaleria
António Maria Lisboa, Cruzeiro Seixas, Luiz Morgadinho, Mário Cesariny, Mário Henrique Leiria, Mena Brito, Pedro Palrão, Raul Perez
Surrealismo
António Maria Lisboa, Cruzeiro Seixas, Luiz Morgadinho, Mário Cesariny, Mário Henrique Leiria, Mena Brito, Pedro Palrão e Raul Perez. Livraria Barata - MicroArteGaleria
Exposição- A História e o Corpo
Artistas participantes: - Adriana Matos - Alberto Assumpção - Alexandre Magno - Ana carvalhal - Belarmino Morgadinho - Cabo Mondego Section of Portuguese Surrealism - Carlos Godinho - Celeste Tavares Alves - Claudine Rodrigues - Dora Tracana - Fernando Saraiva - Francisco Nolasco - Henrique do Vale - Iliana Menaia - Irene Gomes - José Gomez - José Marques - Luiz Morgadinho - Miguel de Carvalho - Pedro Prata - Raquel Rocha - Ricardo Cardoso - Rick lina - Rui Gouveia - Seixas Peixoto - Sérgio Reis - Sílvia Marieta - Virgínia Pinto
Luz incendiada
“é tempo de libertar as imagens e as palavras das minas do sonho a que descemos mineiros sonâmbulos da imaginação”
(Tempo de Fantasmas, A. O’Neill, 1951)
Luiz Morgadinho pinta o que denuncia, o que quer combater. Pinta o que ele não é, esclarecendo suficientemente a verdadeira identidade do que quer combater. Recorro a uma imagem arrabalesca para o definir: “ tal como existem arquitectos edificadores de cidades, existem também arcanjos edificadores de bosques e outros lugares poéticos ”. Morgadinho é um desses arcanjos, um poeta da imagem que se aproxima subtilmente da crítica social e política, questionando a pertinência e a capacidade simbólica da vida tradicional, desfigurando profundamente os seus clichés e as suas convenções. É um criador que “imprime” na sua obra um diálogo com uma estética de descontinuidades e de rupturas recorrendo aos artífices das técnicas plásticas em que é mestre. O princípio supremo da sua intenção artística é o choque dos receptores , leitores da sua imagem plástica. Ele visa a subversão perante as formas instituidas, lutando contra a tradição e contra o conformismo da cultura burguesa. Com efeito, utiliza o Humor Negro - “disciplina” recorrente e tão querida entre os surrealistas - como a sua principal ferramenta e como revolta superior do espírito, ultrapassando a intencionalidade satírica e moralizadora. Um humor sinónimo de denúncia, revolta e libertação. Mas refiro-me também aqui a uma subversão particular: a do sistema artístico em que a arte é vista uma mercadoria.
Entendo que em Morgadinho, a pintura é uma missão social. Sem pretensão alguma uma justificação de encontros, de formas e de imagens, entendo que o seu homónimo na literatura é Mário Henrique Leiria. Embora distanciados em cerca de quarenta anos com uma imagética verbal muito actual (aliás ad eternum), as raízes pictóricas de Morgadinho parecem encontrar-se nas mesmas origens e convertem em novidade as imagens leirinianas, ou seja, um renovar órfico das tradições, devorando e renascendo em si mesmas, como constantes limitações ilimitadas do Homem.
miguel de carvalho
cabo mondego, 24 de junho de 2011
“Luiz Morgadinho, na sua obra criativa, utiliza técnicas de pintura convencionais para nos mostrar mais caminhos de comunicação, alargar as janelas e corredores do gosto artístico tradicional, ao mesmo tempo que desafia o acomodado entendimento da realidade. Servindo-se de um dos métodos preferidos dos surrealistas, o ilusionismo fotográfico, e guiado pelo princípio da imaginação como motor da criação, constrói malabarismos filosóficos para desmascarar as incongruências do nosso tempo.”
Sérgio Reis
2009
Entre os pesadelos de Siqueiros e os cenários oníricos de Dali, a pintura de Luiz Morgadinho reinventa a face do real, para lá do que vemos, no reverso do espelho.
A criatividade é para Morgadinho resistência contra a incompreensão, sentida quando sonhamos com paraísos, que afinal são inóspitos, porque vazios de significado, onde a escala humana se perdeu…
Embala-nos com a inquietude que denuncia o rumo sem nexo da cavalgada colectiva para o abismo, da cultura ocidental, dita democrática...
Luiz Morgadinho afirma-se como um caso sério no panorama das artes plásticas em Portugal. A sabedoria deste homem, alicerçada numa aprendizagem incessante, que lhe confere experiência e um saber fazer fulgurantes, exprime-se numa peculiar forma de partilhar o conhecimento: A sua singular Pintura, que podemos sintetizar como um desesperado Amor à Terra, aonde naturalmente voltaremos.
Luís Filipe Maçarico
Antropólogo e Poeta
2008
Por Mais Que Nos Decapitem. A verdadeira Memória Será Perpetuada by Luiz Morgadinho
Acrílico s/tela. 54x74. 2011